domingo, 13 de dezembro de 2009

MAMÃE JÁ SABE!


Essa é pra registrar.


Tô rosa chiclete, bege degradê!

Mamãe já sabe. Só faltou falar: acorda viado, eu já sei de você!

Tava eu falando com ela e meu irmão que, caso ocorra o que espero profissionalmente falando, vou poder, finalmente, adorar meu (minha) filho (a), quando minha solta essa:

"Adotar filho solteiro é assumir publicamente que é gay. Vai encarar?"

Quase que a bicha aqui enfartou almoçando, tentando dar uma de portuguesa, fazendo de desentendida.

Como pode mamãe saber? Nunca contei!

Apesar de que de um tempo pra cá, ando dando mais pinta do que o "próprio".

Agora já sei que posso adotar meu (minha) herdeiro (a), tranquilamente....

Quanto à assumir, isso é pura intriga da oposição.


Viu mamãe, acredita não. Tá?

- Se você já teve o trabalho de abrir essa porra, aproveite e deixe seu comentário.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

FALANDO COM DEUS


DEUS


Eu sei que você é real. Já tive provas disto. Já pedi que me provastes a tua existência de uma forma tão específica e assim o foi. Nenhuma outra experiência, neste sentido, foi tão evidente como esta. Tua exatidão em responder foi tremenda!


Sei que você vai além da bíblia, dos registros históricos, das religiões, das denominações, dos dogmas, dos conceitos e costumes sociológicos e religiosos.


Sei que tu és a essência do amor, na pessoa de Jesus. Um amor universal, puro, sincero, acolhedor, inclusivo, abrangente, que não faz acepção de aspecto algum.


Como é bom, mesmo nas dificuldades, quando tudo parece que vai nos fazer infartar, ter a convicção de que algo superior - na minha escolha de compreensão é você: ser superior, meu Criador e meu guia eterno - está sempre pronto para me ajudar, nem que seja somente me ouvindo, me vendo chorar, me acalmando.


Sei que me criaste como sou. Um bom rapaz, com uma boa formação intelectual e estrutural, afinal, mesmo com as dificuldades pelas quais passei, pude me formar, estudar mais um pouco, tenho uma família que não me deixa passar por dificuldades. Sei que sou, dentro de minhas limitações, também um bom profissional, que faço o que amo e que me dedico intensamente para fazer o melhor, as vezes até perfeccionista. Sei que sou simples, tímido, normal em aspectos fisicos, mas com um bom coração.


Neste ano que se encerra tenho muito, muito, muito a agradecer. Há um ano atrás minha sensação era de frustração, de desejo da morte por saber que não consegui continuar vivendo a 'fachada' que queria me enclauserar. Passado exato um ano, posso ter a certeza de que o que fiz, foi o certo, e fui abençoado por ti. Lembro-me que chorando muito, sozinho e trancado no meu quarto saudoso, lhe pedi para me provar em ações práticas a certeza de minha decisão. As provas são evidentes!


Saí da caverna. Com ela deixei o ritmo de vida até então vivido, seus dogmas, seus paradigmas. Passei a enxergar pessoas, instituições, conceitos e, principalmente a mim mesmo, com outros olhos. Sou mais conhecedor de mim mesmo, meus desejos, meus defeitos, minhas habilidades, minhas frustrações. Sei que tu permitistes isto.


Agora, encerrando este ano, novamente quero lhe pedir algo. Desta vez não para me provar que és real e que cuida de mim, que tem em suas mãos de amor, as trilhas da minha vida.


Tudo o que vivi foi intensamente. Até hoje, de todos os sentimentos existentes, apenas um ainda não vivi, que é o amor. E quero muito experimentá-lo. Mas quero vivê-lo em sua total existencia. Quero amar e ser amado, totalmente. Ter em alguem especial a certeza de sua existencia ao me beijar, me tocar, me amar - em todas as suas formas. Poder ter a convicção de que esse amor mútuo é uma dádiva tua, e em razão disto, valorizá-lo, cuidá-lo, para não perdê-lo.


Mas olhe: quero alguém especial. E que quando ocorrer,a confirmação de que é a resposta deste pedido, tudo o que ocorrer seja de uma forma tão clara como a água, tão forte como o vinho, tão bom como o ar, saboroso como o beijo, eterno como a vida.


Amor eterno. Esse é meu pedido. Entendendo que me dando esta dávida, continuo tendo a tua aprovação, a mão estendida sobre mim, seu amor por mim exatamente como sou, e por assim ser, me aceitar e viver tranquilidade. Quero este presente, antes do meu aniversário, que com o ano que logo chega, também chegará.


Amor: correspondido, intenso, verdadeiro, e que me faça bem ao dá-lo, recebendo!


Em nome de Jesus,


Amém!

domingo, 29 de novembro de 2009

IMAGENS DA MINHA INFÂNCIA: GAY


Há quanto tempo não confesso por aqui? Muito tempo. A vida agitada faz com que nos privemos das coisas boas da vida. Coisas simples, como confessar, pela escrita, nossas angustias, dramas, dificuldades, bem como as felicidades, surpresas e novos horizontes da vida que se abrem.

Com o final do ano se aproximando vem a necessidade de se encerrar mais rapidamente algumas atividades, fazer balanço das coisas que fluíram de forma ordenada e completa e das que, por quaisquer motivos, desandaram entre o caminho percorrido. Posso me considerar realizado, neste ano, pelo menos na perspectiva profissional. De desempregado em dezembro de 2008, a empregado público, sendo rapidamente elevado à chefia, por competência puramente técnica.

Termino o ano de 2009 também mais conhecedor da realidade do contexto homoafetivo. Permite-me conhecer mais pessoas deste meio. Principalmente neste segundo semestre. Fazer amizades e perceber que nem tudo se resume unicamente a sexo. Existem muito gays mais contidos, mais centrados, com foco em outras coisas que não o prazer horizontal. Tenho alguns vários conhecidos, outros amigos mesmo. Homens e mulheres. Sei que por morar no interior de Minas, e ser a fofoca sobre a vida alheia, o hobby preferida de uma sociedade que vive arrotando caviar – mesmo comendo couve –, que a uma hora dessas meu nome deve dar correndo na língua dos que vivem a vida dos outros – razão pela qual as suas são horríveis -, não me importo mais. Resolvi ser feliz como sou, me aceitar, me valorizar. Passo também a valorizar quem sabe de mim e me ama como sou. Tenho meus valores, meus conceitos, meu comportamento civilizado, e minha postura homoafetiva não são prejudiciais em nenhum momento nestes aspectos de convívio social, muito pelo contrário, até contribui para aflorar a sensibilidade necessária para se lidar com alguns de comportamento heterônomos. Ademais, quem sabe sendo isso assim “mais de conhecido público”, novos interessados não se aproximem, e no final de 2010 eu não venha aqui concluir que vivi o melhor ano da vida no que diz respeito ao amor? Estou também aberto ao amor. E como estou!

Hoje estava pensando sobre ser gay e tentando puxar na memória, se eu, ainda criança, apresenta características disto. Eu me lembro que tomava muito banho com meu pai. Ele pelado e com seu pauzão mole balançando. Não sei ao certo, mas não acho que ele tenha feito nada que me marcasse e me levasse à homossexualidade. Agora, relembrando puxei na memória quando dei minha primeira ‘pinta’, aos sete, oito anos.

Lembro-me sempre dessa imagem: meu pai quando ia trabalhar vestido com seu uniforme marrom, sempre dava um beijo selinho da minha mãe. Um dia eles tinham brigado a manhã inteira – e suas brigas sempre foram muito calorosas, talvez isso tenha deixado traumas, não sei ao certo, pode ser –, mas como eu tinha me acostumado em ver meus pais dando o tal selinho, naquele dia não ia rolar. Ele já ia entrando no seu carro e minha mãe perto. Eu comecei a gritar e a espernear, e gritei: “Paaaaaaaaaaai, você não sai daqui hoje sem dar um beijo na minha mãe. Anda!”. Coloquei a mão na cintura e parei olhando pra ele com o rosto virado. Ele fechou o rosto pra mim – hoje eu lei a cara: “essa peste vai ser bicha e dar o cú por aí” – e deu o selinho na minha mãe muito a contragosto, entrou no carro e saiu.

Outra vez, ainda com meus sete, oito anos, foi quando sai toda rebolando pelo corredor que tinha em casa e meu pai viu. Ele falou: “anda como homem rapaz. Filho meu não é viado e se virar quebro ele na porrada!”. Foi ali que me travei com meu pai e comecei a tratá-lo como um estranho. Nunca tive intimidade pra conversar com ele sobre dúvidas de sexualidades quando, principalmente, na puberdade e na adolescência. Quando meu pauzinho ficou duro pela primeira vez vendo o Tuca Andrada comendo a Joana Fomm dentro da cadeia na novela Fera Ferida, não pude perguntá-lo se isso era normal. Quando começaram a sair os pelos pubianos, não foi com ele que conversei. Minha primeira gozada ao me masturbar não foi com ele que falei. Algumas das minhas duvidas, e ainda muito superficialmente respondidas, foram sanadas pela minha mãe mesmo, mas sempre envolvendo a religiosidade, o “dom de Deus ao criar o sexo para depois do casamento”. E eu que queria apenas saber que porra era aquela porra que saia do meu pau, quando ele ficava duro e eu batia. Hehehe!

Outro fato da minha infância em relação à homossexualidade foi quando na terceira serie, meus coleguinhas de sala conseguiram uma “Playboy” da Carla Perez e todos se amontoavam na quadra de esportes do colégio para verem a buceta dela e falando que queriam comê-la. Eu sentia nojo daquela cena. Primeiro que ver a buceta da Carla Perez num papel não me interessava nem um pouco. Depois era saber que aqueles meninos iram grudar as paginas daquela revista de tanto baterem punheta juntos no banheiro do colégio. Argh! Mas interesse foi quando minha amiga – Ana Paula o nome dela – apareceu com a G Mazagine do Vampeta, com o seu pau na rede e na grade do gol, eu ter pedido pra ver, só por interesse, sabe. Hehehe!

Na verdade sempre fui gay, sabe? Fatos isolados que aos 15 anos culminaram na primeira experiência sexual homoafetiva – horrível alias. No período de abstinência sexual total ate os 22 anos, e no desenrolar de várias experiências aos 23 anos, e agora aos 24 anos, na maturidade como ser humano, onde o sexo é bom, o amor, melhor ainda, por isso querê-lo muito.

Imagens da infância gay. Eu sou fruto do amor, nem de Deus nem do Diabo. Por isso sou assim, desde pequeno.

Abaixo um vídeo de um gay ainda criança. Uma pena que quando eu era criança, internet era coisa de americano. Youtube não existia e ficar famoso na web era coisa do futuro. Hilário o vídeo.

Se jogaaaaaaaaa pintosa!

domingo, 11 de outubro de 2009

SAINDO DO ARMARIO


Ainda não sei se fiz bem ou mal. Só o tempo me dirá o efeito de sair do armário para duas mulheres neste final de semana. Inexplicavelmente todas as vezes que me revelei para alguém - e até hoje foram somente três vezes - foi com mulheres, amigas e que gosto muito. Este poste de hoje será sobre isso, quero deixar registrado no meu confessionário o processo de se revelar para essas três mulheres importantes para mim ou que participaram do contexto onde fui obrigado a me revelar ou me sinto confortável a este ponto.

A primeira é a M. Ainda em Belo Horizonte, estudando com um monte de 'santinhos', onde se falar de sexo é pecado e praticar, então, pior ainda. Ela é filósofa. Amiga, parceira, linda - confesso que a sua semelhança com a Ana Carolina - cantora e minha terapeuta nas horas vagas - me faz sentir atração sexual por ela. Quem sabe numa ida dessas a BH, na noite eu ainda não a pego? Voltando ao assunto... me sinta mal por viver em duas realidade e, principalmente, por vivenciar a homossexualidade a fundo em tão pouco tempo - em menos de um ano conheci toda a realidade gay da capital mineira - points, lugares de pegação, sexyclubs, cinema, matagais, etc. Meu contexto de criação do interior religioso de Minas me fazia vivenciar tudo aquilo com sensação de condenação cristã. Era o carimbo que faltava no passaporte para o inferno. Minha amiga M entra neste contexto num momento em que precisava parar e sair de BH. Decidido a largar tudo, resolvi tomando um açaí delicioso com essa amiga, me abrir com ela. Contar toda a minha experiência e correlacionar com os conhecimentos teóricos - historicos, teológicos e filosóficos - na tentativa de me sentir bem, entender o processo pelo qual estava passando. M tão carinhosa que é, um pouco pega de 'calças curtas' - acho que ela sabia, mas não esperava pela revelação tão direta - foi sucinta em falar religiosamente do amor de Deus pelas pessoas - para quem acredita em Deus (ou outro nome) ouvir isso é um bálsamo -, falar do contexto socio-cultural de influencia grego-romana na comunidade cristã pioneira, na época das epistolas paulinas, e principalmente em se demonstrar que poderia confiar na sua amizade ainda mais a partir daquele momento. Hoje, quase um ano após esse momento, sempre que chego ali em Belo Horizonte preciso encontrá-la. Saímos, tomamos açaí e nos revelamos mais um ao outro. Agora é a vez dela se revelar: divorciada disse que acredita que sua felicidade pode estar no amor em outra mulher. Meu gaydar estragou de tanto apitar. Amo a M.Ter saido do armário com ela me fez sentir naquele dia - e na semana inteira - a melhor das sensações, até mesmo melhor que muito orgasmo. Parecia que tinha tirado das costas toneladas e mais toneladas. Alívio. Respiro fundo e alegria no rosto estampada, por ter consigo articular toda a minha experiência e por ter conseguindo pronunciar tudo para alguém muito importante naquela contexto. Os ensinos filosóficos - principalmente o Mito da Caverna de Platão - estavam sendo colocados em prática na minha vida. Valeu a pena ter saído do armário para ela, com certeza!

As outras duas experiências são recentes. Uma na madrugada de quinta para sexta, e a outra ontem - sábado a tardinha.

AP, minha amiga de quinta-feira é muito gente fina. Porra-louca de tudo. Tipo Norminha. Mas não consigo não gostar dela. Nem dela, nem do Abel. Amo demais os dois. Mas pro Abel não me abri, e nem pretendo tão cedo, a não ser que AP quebre a confiança de ter me confessado para ela e lhe conte tudo, o que acho não irá acontecer. Eu bêbado com o vinho que estava no ultimo relatado, lá pelas 01:00 horas entro no MSN e ela está lá. Hoje mora longe de mim, pois com suas santices (não sei se é assim que escreve) tiveram que mudar daqui. Conversando sobre manias de homens, ela me perguntou se eu ja senti atração por homens. Respirei, tomei coragem e falei que sim e contei sobre meu primeiro e unico namorado. Tenho foto dele no meu orkut verdadeiro. Ela viu e ficou tirando duvidas - quem é o homem, como aconteceu e tal. Contei sobre Belo Horizonte superficialmente e ela me disse que respeita minha escolha, e que ama muito como amigo. Sei que a amizade dela é verdadeira porque, como na novela, minha amiga Norminha fora muito criticada quando sua traição foi revelada, e eu fui um dos poucos amigos que fiquei do lado dos dois, prevendo e querendo que o amor dos dois prevalecesse, como aconteceu de fato. Não me senti mal saindo do armário com ela. Acho que ela não trairá minha amizade. Pelo menos espero.

A terceira, M - diferente da primeira M. é minha amiga de trabalho. O burro aqui fez pegaçaõ no MSN no pc de trabalho e deixou a conversa salva. Como o meu computador é pessoal nao me importei. Acontece que fiquei doente e nesses dias ela utilizou. Encontrou uma conversa 'estranha' e as duvidas que tinha se concretizaram. O bom de M é que ela é super discreta e simpatizante da comunidade. Sou só mais um dos vários amigos gays que ela tem. Fomos na sorveteira ontem - sabado - a tarde e tomei coragem e perguntei o que ela tinha, porque ela só tinha me dito pra apagar as conversas do computador e ficou rindo. Ela falou o conteúdo da conversa, disse que já sabia desde o primeiro dia que tinha me visto e que me respeita como amigo e profissional. Selamos a amizade ainda mais, a consciência profissional de separar as coisas para se evitar prejuízos profissionais para ambos e depois disso confessamos um ao outro nossas taras, historias e outras coisitas. É uma pessoa com um historico familiar desestruturada, gordinha - e por isso sofre preconceitos velados porque é bem de situação, mas que é carente de amizade. Sei ser amigo e espero saber conduzir tudo isso com o tempo. É uma faca de dois gumes. Mas como diz, já que não tenho como negar - ela viu coisas reais - é melhor articular para que tudo fique bem para todos. Acho, espero sinceramente, ter ganhado uma amiga pro resto da vida. Um guiando o outro em suas dificuldades, limitações, angustias, rindo e chorando vida afora.

Uma vez li numa discussão em alguma comunidade gay que não se deve confessar estas coisas para mulheres. Pode até ser. Mas acho que com essas três mulheres se não havia a suspeita por parte delas em relação a mim, há uma história de amizade, de respeito da minha parte por elas. E espero sinceramente que em nome disto eu não venha a me arrepender de ter confessado isto para elas. Só sei é gostoso se abrir, falar de você mesmo, de sua realidade, do ser seu como é para pessoas especiais em sua vida, faz muito bem. É purificador. Renovador. Eletrizante. Bálsamo. Me senti como nosso amigo da foto. Me fez bem sair do armário. Com cuidado as pessoas que eu amo vão sabendo, e o melhor, pelo menos, respeitando!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

EU JÁ SABIA...



Amigo é amigo. Ficante é ficante. Namorado é namorado. Namorido deve ser namorido – não sei com certeza se é porque ainda nunca tive pra saber. O certo é que misturar as estações quase sempre não dá certo. Eu hoje tive convicção disto – apesar de não ser a primeira vez que acontece das estações se entrelaçarem e não dar certo.

Nesta experiência de hoje, o amigo, que é amigo, como ficante é um ótimo amigo. O que ele tem de gente boa – e ele realmente é gente boa – ele tem de ruim de pegada. Ainda bem que não evoluímos para nada além de alguns beijos, que por ser ele tão ruim de pegada, nem foram calorosos. Senti-me beijando um José Mayer, ou seja, até que você pega, mas não pega como se pega um Carmo Della Vecchia da vida. Aí já sabe o que acontece: a excitação vem, mas não se pode explorá-la porque o ficante – que é seu amigo – não sabe muito bem realizar ‘as coisas’ como precisam ser realizadas.

Pra completar, conversas pra lá, conversas pra cá, com o gosto de jiló na boca porque o poderia ter sido ótimo não foi e para piorar, você não quer magoar seu amigo, não pode sumir do mapa, enfim, vamos fazer cena, falar que bom, ressaltar as qualidades do próximo, fingir que o celular tocou e pedir pra sair saindo à francesa.

Como fico muito depressivo quando coisas deste tipo acontecem e preciso de uma boa dose de Ana Carolina, hoje queria encher a cara, cair de cabeça nas musicas mais terapêuticas que existem. Fui pro hiper-mega-ultra e único shopping desta roça onde moro com o objetivo certo: gastar meus 50,00 que tinha na carteira se preciso fosse para comprar o DVD Dois Quartos da Ana, pra poder dormir vendo essa raridade, chorar com “Aqui’ e com ‘Carvão’ tomando um porre daquele com vinho tinto. Passo na Livraria Leitura – isto mesmo, essa roça aqui por incrível que pareça tem essa livraria – e nada, só um vendedor meio homofóbico que ficou me olhando com cara cú depois que perguntei se havia esse DVD lá e nada. Apelei pras lojas Americanas – que em época da semana das crianças lota de pobres que andam pra lá e pra cá e não compram porra nenhuma -, olhei, olhei, reviverei tudo o que era DVDs e nada. Passei até na Dadalto e no Hipermercado unigênito do shopping e porra nenhuma de encontrar o bendito DVD.

Fiquei mais puto da vida ainda. Não rolou a pegada com meu amigo e não iria – como não vou mesmo – poder ver o DVD Dois Quartos da Ana. Vou ter que me contentar em ouvir os CDS – que boooooooooooooooooosta, tomando meu vinho delicioso, pra ver fico bêbado, esqueço os problemas, as cobranças profissionais, familiares, esse lance com esse amigo e essa noite trágica.

Eu já sabia... Quem mandou insistir e sair de casa? Fudeu!

sábado, 3 de outubro de 2009

VOU SORRIR PRA TRISTEZA AGORA


Não aprendi a lição. É comum aprendermos com o erro para que não venhamos a sofrer novamente pelo mesmo motivo. É natural procurar evitar que se caia duas vezes no mesmo buraco. É necessário sair pela tangente para não se machucar numa segunda experiência semelhante.

O meu erro, que acabo de cometer novamente, chama-se: inocência. Sou, e sofro novamente, por querer acreditar nas pessoas. Infelizmente tenho quase que instintivo em mim a facilidade de acreditar nos discursos das pessoas ate que se prove o contrário. E quase sempre, como foi agora, só vejo o contrário após sofrer, principalmente por me abrir para a pessoa, por querer ser somente feliz com alguém.

Mas, pior do que errar duas vezes o mesmo erro é errar por ser enganado num discurso feito por lobo em pele de cordeiro. Lucas (nome provavelmente fictício – já que, ao contrário de mim, ele não se abre, e nessa altura, duvido ate que seu nome seja este mesmo) se vestiu com o figurino que quero para mim: homem sincero, bacana, trabalhador e que quer algo sério.

O besta ingênuo aqui não precisou muito para se apaixonar, se entregar, se revelar, se doar mais do que devia. O besta ingênuo aqui foi sincero e intenso em seus sentimentos, em sua vontade de ser somente feliz, achando que encontrou um cara ideal para algo mais sério a ponto de envolver o coração, hoje colhe decepção, tristeza, frustração, e o pior de todos os sentidos, perceber que se hoje sofre é justamente porque foi ingênuo.

Não sei como será daqui pra frente, porque na busca de homens que são sérios e que sabem o que querem, provavelmente terei medo de entregar, medo de sofrer novamente com o belo discurso, com a boa apresentação e presença num primeiro encontro. Sei que pelo menos os que são diretos ao ponto e que desejam somente o sexo, são mais sinceros do que os ‘falsos’ bons mocinhos que querem também somente o prazer do sexo, mas que por baixeza de caráter, usam de todo um discurso para conseguir o que querem. E nesse sentido – sexualmente falando – nem tão bom Lucas foi.

Errar o mesmo erro pode ser burrice, errar o mesmo erro, por querer amar e ser amado por alguém que valha a pena é ser ingênuo demais, num mundo onde os homens camuflam vontades puramente sexualmente em discursos romantizados, se igualam a todos que querem somente prazeres e/ou experiências sexuais com outros homens, porém sendo mais baixos por usar de uma tática que brinca com o que não se deve brincar: o coração de alguém.

Lucas, você seguirá na minha vida, não da forma que antes tinha pensando... ao invés de uma grande paixão e uma grande historia de amor, você será lembrado como alguém que só quis brincar com meus sentimentos, e conseguiu. Parabéns! Não te desejo o mal, pois se há uma coisa que já aprendi nesta vida é que tudo o que plantamos aqui, será aqui mesmo que iremos colher.

Vou seguir minha vida, vou sorrir pra tristeza agora, vou viver os meus dias sem você!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

VOU QUERER ME MATAR



Covarde! Sou covarde! Muito covarde! Que raiva eu tenho de mim mesmo! Raiva de tudo o que faço comigo mesmo. Raiva de ser tão frouxo, tão imbecil, tão otário por repetir novamente o mesmo ato que me traz dor na alma, que me machuca por dentro. Como posso ser tão besta a este ponto?

Hoje se eu pudesse pedir alguma coisa a Deus – se é que ele existe mesmo – é que ele me matasse. Pode ser estranho para você que lê isto. Mas digo com todas as letras: se eu pudesse terminar minha jornada nesta terra a hora que eu quisesse, essa hora seria agora! Não mereço viver! Não mereço continuar vivendo! Primeiro porque não pedi para nascer, e segundo, porque não sei viver.

Não sei dizer não, não sei esperar, não sei desenvolver, não sei fazer sem me entregar por inteiro. Não sei desassociar sexo de amor. Excitação de paixão. Porque a cada homem que passa pelo meu corpo leva de mim a vontade de ser continuo, de ser algo além de que sexo, e deixa a tristeza na alma, ao detectar que não é isto o que acontecerá!

COVARDE!

Realmente, sou covarde!

“Meu caminho é de pedras, como posso sonhar
Sonho feito de brisa,
Vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar”

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

COMO É DIFÍCIL SER GAY!



Bom, voltei ao orkut... novo perfil, com poucos adicionados. Pretendo manter poucos contatos, afinal de contas, mais do que nunca, para mim, quantidade não é sinônimo de qualidade. A cada dia que se passa percebo que um dos maiores erros que cometi na busca da experiência sexual com homens é a prática de sexo pelo sexo, com vários, em situações diversas. A 'fase de pegação', mesmo depois de passada, deixa marcadas na alma, e atrevo-me a dizer, no caráter (entendido por mim como aquilo que você realmente é, independemente das leituras que se possam fazer de ti) e na auto-estima, que sinceramente, se pudesse retornar aos primeiros dias, pensaria muitas vezes antes de fazer o que fiz. Hoje, depois do início efervescente de conhecimento do que é ser gay, sinceramente optaria por outra linha. Mas também não fico me lamuriando eternamente, pois também sou da filosofia que 'devo levantar arrependido, mas nunca frustrado por medo de não tentar'. As experiências da vida acarretam, sem dúvida alguma, valores que moldam e norteiam a continuidade da mesma.

E uma das experiências que vivenciei nas ultimas semanas me fizeram escrever esta postagem. Por algumas semanas, na realidade, em dois meses, por intermédio de uma amiga de trabalho, pude conhecer um rapaz que me despertou o interesse. Num show da Claudinha Leitte foi o nosso primeiro contato. Como meu 'gaydar' ainda funciona, na hora pude detectar a realidade - até mesmo porque sei que essa minha amiga adora andar com gays. Naquela mesma semana, e com o auxilio da internet e do orkut pude ter acesso ao MSN deste rapaz. Um negro lindo, magro, com 1,92 de altura - ou seja, consegue ser maior do que eu - de uma fineza e de uma simpatia cativante, principalmente por ter dislexia, trocando as letras e ao perceber tal situação, fica nervoso e ai só sai pérolas. Tanto ele, como nossa trupe, leva a situação numa boa, mas sem perder a piada.

Já fomos, em grupo, pro cinema, pra barzinhos, churrasco... sempre em turma. Na realidade, acho, ou melhor, tenho quase certeza, que somos todos gays e minha amiga lésbica. Não me assumi ainda para eles porque tenho muito receio. Minha cidade é interior, sou relativamente 'conhecido' entre as personalidades públicas locais, e tenho cargo público político e sei muito bem que boatos dessa natureza podem derrubar muitas pessoas. Além disto, sinceramente, não consigo acreditar totalmente nas amizades deles. Sou mineiro, arredio, desconfiado até da própria sombra. Essa minha amiga, na realidade, é subordinada a mim no trabalho, e tal revelação produzirá uma bomba a sua disposição, caso no futuro, algo desagradável, principalmente para ela, aconteça.

Enfim, durante semanas eu e este amigo conversamos muito, todas as noites, as 20 horas, até que há duas semanas atrás, durante a conversa avançada tocamos no assunto: homossexualidade. Ele se abriu falando que já teve experiências e que hoje não se sente mais atraído por mulheres, e me perguntou sobre mim, eu, no impulso, disse que acredito no amor independentemente de gênero sexual, e que em razão disto, na normatividade social poderia ser classificado como um bissexual - coisa que já não sou mais.

Essa atitude trouxe conseqüências inesperadas e desagradáveis. A primeira é que ele sumiu da internet. Passei no comércio onde ele trabalha e logo percebi um ar de indiferença na conversa, mas afirmou que esteja sem internet em sua casa, o que me parece estranho, pois a cada meia hora seu perfil do orkut tem alterações. Ontem, nossa trupe se reuniu de novo para tomar uma cervejinha - eu tomo minha Coca Cola, pois não consigo beber cerveja, nada contra que consiga - e percebi um ar de desprezo, indiferença, tal estranho. Senti que para ele, naquela mesa, existiam somente minha amiga e nosso outro amigo. Era como eu não existisse, como se não tivéssemos conversado tanto tempo, sobre tantos assuntos diferentes. Tudo muito estranho.

Mas minha pior decepção foi por perceber uma personalidade que desconhecia. Tão vulgar, tão esdrúxulo, baixo, num comportamento tão, como diria, 'pintosa'. Senti-me mal, muito mal por estar naquela situação. Em alguns momentos, me perdi com os olhos fixos no movimento dos carros na avenida onde estávamos, relembrando nossas conversas, suas palavras carinhosas de um amigo para o outro, que percebi serem falácias, pois o que ele realmente queria era ‘fuder’ comigo.

Sinceramente, antes até pensei que ele poderia ser uma pessoa especial para minha estória. Mas como o conheci diferentemente de todos os outros que conheci com a finalidade puramente sexual, quis dar tempo ao tempo, conhecer mais a fundo, suas qualidades e defeitos. Felizmente ou infelizmente, pude presenciar tal situação.

Fico me perguntando: por que será que não encontro, nesse meio, pessoas de caráter, sinceras, que saibam manter relacionamentos respeitosos, onde o tempo seja respeitado para a evolução do envolvimento na relação? Será que existem poucos homossexuais maduros e que consigam enxergar a realidade nesta perspectiva? Que por sermos 'minoria' precisamos nos valorizar e não nivelar por baixo?

Falta romantismo, sensibilidade, retidão de personalidade, entendimento de que as pessoas são diferentes e que precisam de tempo para posicionar em seus relacionamentos a ponto de se abrirem, a ponto de confiarem uns nos outros. Acho que por causa dessa falta de respeito ao próximo, muitos, creio que a maioria, dos homossexuais está só, embora já tendo passado por muitas camas e braços...

Por causa deste comportamento é que se vê uma realidade, enquanto extrato social, ridicularizada pela heteronormalidade, por ver que os gays são muitas vezes escrotos, imorais, isto em público. O que não quer dizer os heterossexuais também não sejam. Mas para se conquistar políticas públicas de respeito ao extrato social gay é preciso, antes de tudo, se dar o respeito entre os próprios homossexuais, entendendo que o próximo não é somente o novo alvo para um sexo casual, e sim um ser humano, com história de vida, de dificuldade de aceitação pessoal e posicionamento social em razão disto, com sentimentos, com desejos de se encontrar alguém e viver algo positivo e construtivo, além de uma simples transa.

Como é difícil ser gay! É de se enlouquecer e dar ré na pista...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

AGOSTO: MÊS DE NOVOS GOSTOS


Somente hoje pude ter um tempo para acessar novamente este espaço, que anda meio abandonado, talvez até mesmo sem um publico que o acessa periodicamente. Esta situação se deve a vários motivos, todos frutos de vontades e atitudes tomadas neste mês, sobretudo após a ultima postagem, nas vésperas do dia dos pais.

Este é o tempo de reavaliação de posicionamentos, de caminhos que a vida tem levado e de tomada de decisões, com realização de algumas atitudes, que podem até ser radicais, mas bastante necessárias.

Uma delas é a exclusão do perfil de Marcinho Bartimeu do orkut. Desde 2007 naquele site de relacionamento, neste mês ele chegou ao fim, e sem avisar pra ninguém. De uma hora pra outra, ele simplesmente deixou de existir nas comunidades em que fazia parte, deixando pra trás conhecidos - quase todos fakes como ele - que por meses e meses se relacionava. Outra atitude é a exclusão do Messenger de Marcinho Bartimeu. Com o passar do tempo e a busca irracional em encontrar alguém bacana para algo sério, a cada dia aumentava-se consideradamente os contatos nesta conta, a ponto que a qualidade se reduziu a uma insignificância considerável, razão pela qual esta atitude também foi tomada.

Na realidade Marcinho Bartimeu percebeu que por mais que ele possa fazer boas amizades - como realmente fez - com pessoas com perfis fake - e alguns ter levado pro orkut verdadeiro atraves da real identidade destas pessoas - a busca por alguém que o completasse era utopica, pois os que valiam a pena, moram longes, e os que de perto, para variar, apenas desejam a prática sexual pela prática sexual. O tédio, a monotomia e detecção de nenhuma coisa boa e real, prática sairia de lá, fez com que destas duas contas chegassem ao seus finais.

Outro gosto que tive e efetivei foi adquirir o novo trabalho de Ana Carolina, a psicologa do Marcinho Bartimeu. Seu novo álbum, 'Nove' em comemoração aos dez anos de trabalho é simples artisticamente falando, com musicas comuns, sem nenhuma novidade enriquecedora, porém, apenas a presença de Ana, com sua voz linda já me deu todos os motivos para ter esse novo álbum.

Nesse mês também tive vontade de morar sozinho. Cheguei a olhar preços de aluguel de kitinetes, fazer as contas das despesas que teria a partir da tomada dessa ação, o que isso refletiria nos meus relacionamentos familiares e como minha vida mudaria depois disto. No final da conta, os contras pesaram mais que os prós. Ainda continuo em casa, mas essa análise pode ser refeita em um futuro muito próximo.

Um gosto muito diferente é a vontade de concretizar um relacionamento heterossexual com uma amizade de local de serviço. Corpo violão e a deixa para se aproximar fez-me despertar este novo gosto.... o que isso irá produzir só o tempo dirá. Seria o fim final de Marcinho Bartimeu por completo?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

FELIZ DIA DOS PAIS ... FELIZ DIA DO QUÊ?


Hoje numa conversa entre colegas de trabalho, dei-me conta de que estamos próximos a comemoração do Dia dos Pais. Meu colega de trabalho mais próximo é apaixonado pelo o pai. É a figura de um herói, bem sucedido profissionalmente, como uma família tipo modelo comercial completa. É o camarada que além de bancar suas despesas pessoais, lhe fornece condições para curtir com a mulherada com o carrão e sítio da família, tudo com o aval do pai - lógico que escondendo tal camaradagem da esposa. Afinal, pai e filho héteros amigos são parceiros na metelança do filho, ainda não casado, mas que namora uma pirralha virgem de 18 aninhos ... repetiçao da história do pai, construção e reprodução de estigmas, de modelos padrões de heterossexualidade "sadia" e aceita, por meio de vistas grossas, pela sociedade no geral.

Mas não é para falar de meu colega de trabalho e de seu relacionamento com o seu pai que posto neste momento. Quero falar de uma questão que me veio à mente depois do expediente com a conversa em grupo sobre comemoração do dias dos pais, presentes, gostos e admirações. A pergunta é: até qual ponto a ausência de um pai - mesmo que no modelo padrão de pai, como tem meu colega - afeta a sexualidade de um filho? Até onde a sexualidade de um filho pode se desenvolver por este ter um pai que não representa em sua infância a figura paterna, responsável pela formação integral de seu filho, responsável pela formação do caráter e de gostos - inclusive o sexual (pois compartilho do entendimeno que somos também fruto do que vivemos)?

Acho que todo gay durante seu processo de auto-conhecimento e aceitação da sua diferente (em relação aos padrões sociais) sexualidade já leu ou ouviu muito sobre a possibilidade da ausência do pai, ou sua figura apagada em relação ao comando pela figura materna na família, poder interferir e explicar tal situação. Essa duvida repercute há séculos, creio, e continuará existindo, alguns apoiados na concepção psicológica do mau desenvolvimento do caráter da criança, o que proporciona o chamado "Complexo de Édipo".

Apesar de não ser infelizmente especialista na psicologia, ao estudar tal matéria nos dois cursos superiores que fiz (um concluído e outro não), pude me aprofundar nesta temática em algumas oportunidades. Segundo a psicologia, no desenvolvimento do clico da vida, na terceira fase que compreende a idade de 4 a 6 anos, denominada fase fálica, as crianças passam por um conflito entre a iniciativa e culpa, pois começam a compreender de determinados atos são inaceitavéis perante os adultos, e ao cometê-los, com a repreensão desenvolvida pelos genitores,a presença da culpa inibe o desenvolvimento de seus atos, que ate então eram 'naturais' em crianças, que por serem inocentes, não sabem o fazem.

Nesta mesma fase fálica, as crianças descobrem seus genitais, o libido começasse a desenvolver. Nesta idade que é o menino descobre que o que tem no meio das pernas é o pilau, piupiu, pintinho, e a menina pererequinha (abre parêntese ... Nunca vi uma mãe falar ao filho de 4 a 6 anos que ele tem um pênis e a uma filha que ela tem vagina ou buceta ... fecha parêntese). É nessa fase que recomenda-se que os pais, muitos na ignorância científica, parem de tomar banhos com seus filhos, pois as comparações irão começar a existir, afinal de contas, o pilau do pai é enorme e o dele, coitado, vergonhoso, a perereca da mãe é aquele matagal onde sai xixi... e nesta fase pode se desenvolver o complexo de Édipo, onde os primeiros sintomas de atração sexual será pelo genitor de sexo oposto. Ao querer despertar (e isto tudo inconscientemente para a criança, refletindo posteriormente na sua sexualidade)e dominar a atenção do genitor(a) do sexo oposto, encontrará na outra figura genitor(a), em sua mente, uma oposição. Ao querer imitar o genitor(a) do sexo oposto, desejará ter atenção também desta pessoa -que é do mesmo sexo que a criança -, pois a vê cariciando o outro(a) genitor(a), dando-lhe beijo e até mesmo metendo - isso no caso dos pais que trepam sem trancar a porta do quarto... ai quando menos se espara, tchannnnnnnn.




Édipo para quem não sabe, e como o Marcinho Bartimeu também é cultura, é uma personagem da cultura grega. Famoso por matar o pai e casar-se com a própria mãe. Filho de Laio e de Jocasta, pai de Etéocles, Ismênia, Antígona e de Polinice. Segundo a lenda grega, Laio o rei de Tebas havia sido alertado pelo Oráculo de Delfos que uma maldição iria se concretizar: Seu próprio filho o mataria e que este filho se casaria com a própria mãe. Por tal motivo, ao nascer Édipo, Laio abandonou-o no monte Citerão pregando um prego em cada pé para tentar matá-lo. O menino foi recolhido mais tarde por um pastor e batizado como Edipodos, o de "pés-furados", que foi adotado depois pelo rei de Corinto e voltou a Delfos. No caminho, Édipo encontrou um homem e, sem saber que era o seu pai, brigou com ele e o matou, pois, Laio o mandou sair de sua frente. Após derrotar a Esfinge que aterrorizava Tebas, que lançara um desafio ("Qual é o animal que tem quatro patas de manhã, duas ao meio-dia e três à noite?"), Édipo conseguiu desvendar, dizendo que era o homem. "O amanhecer é a criança engatinhando, entardecer é a fase adulta, que usamos ambas as pernas, e o anoitecer é a velhice quando se usa a bengala". Conseguindo derrotar o monstro ele seguiu à sua cidade natural e casou-se, "por acaso", (já que ele pensava que aqueles que o haviam criado eram seus pais biológicos) com sua mãe, com quem teve quatro filhos. Aquando da consulta do oráculo, por ocasião de uma peste, Jocasta e Édipo descobrem que são mãe e filho, ela comete suicídio e ele fura os próprios olhos por ter estado cego e não ter reconhecido a própria mãe. Após sair do palácio, Édipo é avisado pelo Corifeu que não é mais rei de Tebas; Creonte ocupara o trono, desde então. Édipo pede para ser exilado, mandado embora. Pede, ainda, para que Creonte cuide das suas duas filhas como se fossem suas próprias.

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Voltando a finalidade de começar a falar disto tudo, pude repensar em toda a minha experiência neste sentido. Para não perder nenhum detalhe que interfira na compreensão passo a escrever na terceira pessoa.

O Marcinho, caro leitor, é o caçula de três irmãos. Antes de nascer - e somente há poucos anos soube disto - seus pais já não viviam muito bem. Disfarçados ou amparados numa ajuda divina, sabe-se lá, viviam na tentativa de tentar demonstrar para a sociedade ser um casal de evangelicos comprometimentos com suas crenças religiosas, mas que dentro de casa vivem numa eterna briga, onde a mãe, numa tentativa de sobrevivencia pessoal e de sua cria, com a imposição da voz e da sua postura, tentava barrar as puladas de cerca do pai. O Marcinho com três meses de idade sofreu reflexos da saída do pai de casa após brigar com sua mãe por esta descobrir que o pai de Marcinho lhe traía, tinha uma amante. A mesma aliás, que três anos depois, numa segunda tentativa de reconciliação, a mãe de Marcinho descobriu e foi tirar satisfação na porta de sua casa.

Na verdade leitor, o pai de Marcinho, infelizmente, nunca valeu nada. Um homossexual que tentou, o que era comum àquela época, viver um casamento de fachada, para poder fazer filhos e ter suas escapaledas contínuas. Na verdade, na verdade, o pai de Marcinho era um ser atraído pelo sexo, seja com homem ou com mulher, com 'santas' ou com 'putas' como eram suas amantes, que Marcinho as conheceu aos onze anos como irmãs da igreja, mulheres de intercessão... quanta inocência!

A imagem mais remota que Marcinho tem de seu pai é que ainda na fase fálica tomava banhos com o pai, e ele, algumas vezes - hoje Marcinho entende - ficava com o pau duro. Marcinho tocava o pau duro de seu pai, na inocência. Marcinho não se lembra se praticou sexo oral com o pai, alias, tem quase certeza que não. Mas Marcinho lembra já na puberdade de encontrar varias vezes seu pai se masturbando no banho, vendo putaria na televisão, e também se lembra que ao pedir que seus pais se beijassem ao ver o pai sair para trabalhar, que o selinho dado tinha algo de errado, numa sensação, hoje compreendida, de nojo, ressentimento entre seus pais, que para não magoar o filho e fazê-lo calá-lo, beijavam-se com um selinho artificial.

Marcinho lembra de ver a figura, outrora oponente da mãe na tentativa de desenvolver algo positivo em seus filhos que encaminhou nos 'caminhos em que deve andar, para que ao envelhecer, não se desviará dele", se transformar no decorrer dos tempos em uma mulher infeliz, frustada sexualmente (apesar de feliz com seus três filhos) e socialmente, pois sabia que o casamento elogiado por muitos era mera fachada, e mais depressiva e doente, desprezada pelo marido e pai de Marcinho, incapaz de lhe fornecer até seus medicamentos.

No final desta fase, Marcinho já tinha seus 17 anos e com seus irmãos, cansados de verem o estado de sua mãe, que por anos aguentou calada as humilhações do cafajeste de seu marido, resolveu juntamente com seus irmãos colocar um fim naquele relacionamento. O pau quebrou. A casa caiu. Moral da história: Marcinho ficou com sua mão quebrada pela agressão sofrida pelo próprio pai, que resolveu sair de casa e para lá nunca mais voltou. A liberdade, comemorada tal qual a aforria para os negros no fim da escravatura estava selada. Pobres, com o resto que lhes sobraram, aliaram-se a fé e ao apoio dos demais familiares para prosseguir a vida. De lá pra cá, Marcinho pode finalmente começar a desenvolver sua sexualidade, sua primeira experiência sexual foi com um primo, isto mesmo, homem... nunca mais aconteceu. Mas ali, os desejos sexuais despertados pelo proprio pai durante anos se concretizaram.... Passados anos, somente em 2008, longe de casa sua vida sexual se intensificou, sendo a primeira experiência a do Shopping Del Rey, contada na primeira postagem deste blog.

Marcinho na verdade nunca vivenciou o relacionamento sadio de pai e filho. Marcinho tem pai vivo até hoje, sabe onde mora o infeliz, mas não tem e não quer se relacionar com ele. Suas cicatrizes de alma são maiores do que mesmo sua racionalidade, que hora ou outra, relembra a importância do perdão, da segunda chance aprendida nos bancos da igreja, da escola e da própria vida. O medo de se ferir, se decepcionar novamente o impede até mesmo de desenvolver essa vontade de tentar novamente se relacionar com seu pai.

Neste contexto, a figura da mãe - e por analogia da mulher em geral - se tornou santa, intocável, razao pela qual Marcinho não consegue hoje se sentir atraido, ter ereção por mulheres. A unica que tentou foi com uma puta juntamente com outro homem, um colega de putaria em duvida na sua sexualidade. Ao ver o pau do colega duro, o pau de Marcinho endurecia e conseguia enfiar na buceta da maldita, mas logo que enfiava lembrava da imagem do pai sobre a mesma mae que o via maltratar quando pequeno e sua ereção acabava. Depois desta tentativa de súplicio, Marcinho erimiu suas dúvidas e acabou de se aceitar sexualmente como gay. A mãe é a sua guardiã, a figura que hoje representa a possibilidade de continuar vivendo pois esta utilizou suas forças para manter o mínimo de compostura para ter o que dar de comer aos seus filhos, haja vista que na década de 80 as mulheres, em sua maioria, dependiam economicamente de seus maridos, e estes mantinham suas putas e putos, de conhecimento de suas esposas, fadadas ao silêncio para sobreviverem por não quererem se separar e virarem chacotas da sociedade preconceituosa das décadas passadas.

O sexo, às vezes, produz em Marcinho a sensação de nojo, de estar, de certa forma, repetindo a história de promiscuidade de seu cafajeste pai. Só não é completa porque Marcinho decidiu não se casar, fazer da filha de alguém a repetição de sofrimento da história de sua mãe, e fazer da historia de vida de seus filhos a sua própria história de vida, repetindo historicos familiares - porque o pai do pai de Marcinho também não valia nada, e a uma hora dessas deve tá ardente com o diabo que já o levou faz tempo.

Mas o sexo com amor ainda não foi por completo vivido por Marcinho. Sua busca de alguém do mesmo sexo para construir uma grande história de companheirismo e amor têm se tornado útopica, distante, fria. Marcinho precisa ter essa experiência. Tomara que consiga!

Aproximando-se do Dia dos Pais, Marcinho não tem o que comemorar. A figura de um pai amoroso, companheiro, camarada, sustentador e iluminador de caminhos, abridor de alternativas foi pela vida violada. Mais uma violação da vida triste de Marcinho que por tempos viveu aos pés dos púlpitos do cristo de madeiras de igrejas evangélicas, mas como diz a música da Ana Carolina, ele "não lhe dizia nada", mesmo quando "ele orava, ele orava". O apoio e o conhecimento da filosofia e da psicologia, aliado à prática do campo jurídico e administrativo onde atua tem o ajudado a se libertar da também violência da ignorância e da imposição da lei religiosa, e, quem sabe um dia desperte em Marcinho uma nova visão desta sua história de vida, sobretudo no que tange a seu não relacionamento com a figura paterna.

Feliz Dia dos Pais. Feliz Dia do quê?

Abaixo uma montagem em comemoração à dada com a música chefe deste período do ano: Pai Herói, de Fábio Júnior. Música que Marcinho desde pequeno ao ouvir sabia que não lhe traria nada além de lágrimas, tal qual trouxe-lhe neste instante. Lágrimas porque a vida, ingrata, lhe trouxe uma experiência negativa em relação ao pai, e que, de certa forma, o influenciou na decisão de aceitar sua sexualidade desenvolvida num contexto contencioso, onde as figuras ao fugirem do padrão fez-o fugir do padrão da sexualidade, tornando-se homossexual.





Quem tem um pai contrário ao meu, comemore, pois a vida, ao te fecundar, já lhe sorriu.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

VOCÊ É FOGO E EU SOU PAIXÃO!

Posso até não encontrá-lo denovo pessoalmente, mas valeu a pena. Preciso confessar que pequei, mas valeu muito a pena. Pela segunda vez nossos corpos se encontraram. A química entre nossos corpos é perfeita. Tudo se encaixa, se ajunta. Nosso beijo é perfeito, intenso, gostoso. Nossa troca de hálito entre os beijos perfeita. Sua barbinha, miúda e com falhas é excitante, basta seu toque rude com a minha pele lisa que tudo se anima, se intensiva, aflorece, incendeia.

Estou falando do LB. Coloco apenas as iniciais porque este rapaz não é um rapaz qualquer, caro leitor. Trata-se do melhor rapaz que já tive numa cama, sexualmente falando. Seu corpo é fenomenal, perfeitinho. Parece que o criador demorou muito tempo construindo aquilo tudo, colocando cada parte em seu lugar com maestria. Suas tatuagens em lugares particulares, despido e ávido pelo fogo que o deixa louco de tesão, acrescenta ainda mais beleza àquele corpo deslumbrante.

Mas ele não é qualquer rapaz não somente porque é o melhor rapaz com que já transei. Ele não é qualquer rapaz também, e principalmente, porque ele tem uma vida pública. Os holofotes, as cameras digitais e os paparazzi estão na cola dele. Artista. É dos bons. Um ator, excelente. Ao vê-lo atuando na televisão, tão másculo, compenetrado, encanto-me ainda mais por saber que entre quatros paredes ele se entrega, de corpo e corpo. Nossa relação é sexual. Creio que assim como para mim, para ele, nossa empatia sexual é completa. E olha que não sou nenhum modelo dentro dos padroes de beleza apregoa pelos sistemas televisivos e seus contextos. Passo longe do Reynaldo Gianechinni e seu suposto affair Miro Moreira. Mas rola, e rola gostoso, excitante ... vou ao extase sexual ... completo!

O meu caro leitor, suponho, além de querer saber quem é esse ator (hoje ele trabalha na Rede Record, mas já passou pela poderosa....), deve estar se perguntando: Marcinho, se o cara é a sua melhor experiencia sexual, se ele te completa e é correspondido sexualmente falando, porque o relacionamento seus não passa para um nível mais sério?

Preciso, já que comecei a contar este segredo, esclarecer alguns aspectos. É óbvio que LB não mora no leste de Minas. É obvio que LB viaja muito. Tantos são os trabalhos, as apresentações de eventos, as propagandas, os bailes de debutantes (coitadas, o pau dele deve ficar molinho dançando com elas ... mas fazer o quê?). É óbvio que ele é vivido, viajado, conhece os corredores dos maiores canais da mídia televisiva (... e já matou algumas curiosidades minhas...). Isso nunca foi esquecido, pelo contrário, deste o início foi bem esclarecido e aceito por ambos.

Nos conhecemos aqui mesmo na minha cidade. Num dia, há algum tempo já... entrei na internet, num bate papo. Papo vem e papo vai com aquele anjo... até que ele me convidou para ir onde ele estava hospedado. Sua foto já me despertou o interessei. É obvio que não acreditei quando vi a foto que se tratava do LB. Ao abrir a cam, tive a surpresa. Realmente se tratava do LB. Curioso, perplexo e sem acreditar no que estava acontecendo fui ao seu encontro. Ficamos quais de cinco horas juntos, transando, beijando, beijando, beijando, transando, transando, beijando, comendo chocolate, beijando, transando e por fim, transando e beijando. Dali pra lá nos tornamos amigos, e mantemos contato via messenger - óbvio que o verdadeiro, até porque o LB me passou o seu verdadeiro.

Hoje (dia que escrevi este texto), eu solteiro, livre e desempedido... depois de ralar a semana inteira dando expediente no meu serviço, mandando aí, desmandando aqui... reunindo com chefões aqui, chefões ali, cheguei em casa. Meu celular toca. Era LB avisando que estaria passando aqui em minha cidade a caminho do Espirito Santo, juntamente com um grupo teatral e que iria ficar na cidade umas três horas enquanto o produtor fazia suas reunioes com empresarios da regiao para futuras apresentações.... o que aconteceu? Aconteceu que aconteceu, novamente.

Perfeito, excelente, sem máscaras e maquiagens... excitante, sensacional... que corpo, que voz, que sorriso, que maravilha tive em minhas mãos por alguns momentos....

Entretando não tenho ilusões, não crio planos, sei que ele é muito gente boa, mas é muito safado - por mais que jure ajoelhado na minha frente negando - seu rosto exala sexo, seu corpo é fogo puro.... e eu, eu sou pura paixão...

LB ... um amigo virtual que tem se mantido mesmo com o tempo ... perfeição na arte, tanto da televisão como na sexual. Vou dormir realizado, fiquei novamente com o LB, ator. Vou dormir feliz porque LB é inesquecível. Tenho certeza que essa história não acaba por aqui... cenas para os próximos capítulos!


segunda-feira, 20 de julho de 2009

FELIZ TRISTE DIA DOS AMIGOS

Hoje é o Dia do Amigo. Uma data que desconheço quem a tenha criado, bem como quais os motivos e as articulações comerciais por trás desta movimentação, e, principalmente qual o real significado dela. Outrora pensara eu que enquanto no armário, escondendo-me de mim mesmo e da sociedade a qual faço parte meus instintos sexuais, nunca poderia ter um amigo, um parceiro, que pudesse ao longo dos anos compartilhar intimidades, pedir conselhos e aconselhar quando solicitado, comemorar as vitórias e chorar as derrotas.

Assim, sonhava eu que, ao me auto-aceitar e assim passasse a conviver com pessoas com a mesma orientação sexual, poderia fazer amizades e criar - até mesmo levando em consideração as discriminações sociais que os estereótipos homossexuais sofrem da(na) sociedade - amizades maduras, que ultrapassam os assuntos meramente de preferências e experiências sexuais.

Neste intuito surgiu o Marcinho Bartimeu, minha segunda identidade, o meu segundo "eu" - primeiro no messenger, posteriormente num perfil no orkut e agora neste blog - com o intuito de conhecer pessoas, que assim como eu, são homossexuais, sabem os dilemas, os traumas, as indagações que passam na mente de uma pessoa 'diferente' da maioria heterossexual, e a partir daí criar amizades que me ajudassem a evoluir pessoalmente, como ser humano, cidadão, produtivo, apesar - e infelizmente - de ser sexualmente diferente da maioria da sociedade.

Ledo engano! Se desde 13 de abril de 2008 conheci muitos homens - e na sua maioria para experiências momentâneas de prazer sexual, experiências estas que não me arrependo de tê-las dito - hoje aqui estou, numa noite de segunda, depois de passar por messengers (verdadeiro e fake), orkuts (verdadeiro e fake) e blog (o verdadeiro já deletei, socialmente falando não aparento dilemas - este ficaram na área sentimental) sozinho, sem ter experimentado um grande amor com outro homem que estivesse na mesma sintonia, e também sem um grande amigo.

Falar que não consegui ninguém neste período que se transformou em amizade é mentira. Conheci sim. Mas como diz o ditado..."pessoas legais moram longe", minhas experiências neste intuito não poderia fugir à regra - só fugi a regra na hora de não ser heterossexual! Tenho grandes amigos virtuais que moram em Vitoria, Rio, Sampa, Curitiba, Uberlandia e outros municípios, todos longe das terras quentes do leste mineiro, longe das águas doces do Rio Doce.

Comemorar o Dia do Amigo para mim não faz muito sentido. Para estes acima enviei torpedos, scraps e email, porém o calor de um abraço, o afago nos cabelos, o sorriso sincero e os brilhos nos olhos que surgem quando a alma encontra em outra a confiança se desnundar, isto hoje - e como quase todo o meu passado - não encontrei.

A realização de encontrar um grande amor já é utópica demais para mim. A cada dia convenço-me mais e mais que o meio gay - e talvez ache explicações psiquicas e sociais para tanto - está em total decadência anos luz à frente da realidade heterossexual promíscua. Os gays, se por um lado promovem a movimentação na organização de instituições para a defesa de seus direitos civis, por outro, rebaixam-se cada vez mais em maior velocidade e quantidade na promiscuidade, no sexo fácil, sem necessidade de identidade, precisando somente de cú aberto e de um pau duro para a fudeção se completar numa esporrada fácil (desculpa ser objetivo em demasia por não usar figuras de linguagem ou sinônimos), que marca o corpo e a alma sem deixar rastros, tal qual um ladrão que rouba-nos quando estamos distraídos rua afora, levando de nós todo o nosso brio, deixando-nos a sensação de perda e de uso, e principalmente, a utopia de o mundo estar evoluindo para o progressão quanto organização humana e coletiva.

Se deprimo-me em relação às experiências sentimentais na homossexualidade - e só nesta, porque na heterossexualidade já não consigo nem me imaginar - gostaria muito de um dia encontrar pelas ruas da vida alguém pra chamar e viver dia após dia como um grande amigo. Para poder conversar sobre qualquer coisa, para poder rir, chorar, falar sério, concordar, discordar, argumentar, ouvir, me aconselhar, para poder abraçar quando a alma se ferida, para poder falar a verdade sem medo de que não irá ofender por não ser 'politicamente correto' em frente a situações onde só amigos podem e precisam ser ouvidos, para poder ficar no celular ou no messenger até altas horas conversando, fazendo macaquice na webcam, sem se apaixonar eroticamente falando, mas ao mesmo tempo se abrindo, saindo do armário e recebendo, no mínimo, a compreensão e aceitação de que na regra da sexualidade, a homossexualidade é a exceção.

Amigos, se você o tem, mesmo tendo passado o dia 20 de julho, comemore esta data. Valorize seu amigo, diga-o o quando ele é importante para sua vida. O abrace. O beije no rosto. Dê-lhe um presente. Amigos considerados e valorizados são jóias raras, de difícil encontro, como são as pedras preciosas das minas. Se você tem seu amigo por perto, não durma hoje sem falar com ele, e para ele, o quanto ele é especial para você.

Para os meus amigos, todos na categoria de "pessoas legais moram longe", também tenho uma mensagem, é a letra da música do vídeo abaixo. É uma musica cristã. Sei que alguns não são cristãos - porque assim como na sexualidade há exceções à regra heterossexualidade, na religiosidade brasileira, há exceções à regra da crinstandade, inclusive para não ser nada, nem exceção, nem religioso - mas peço que preste atenção à letra na parte que afirma que amigos são presentes ... e que mesmo cada um partindo para seguir suas vidas, a amizade nunca morre.

Enfim .... FELIZ TRISTE (no meu caso) DIA DOS AMIGOS...



sábado, 11 de julho de 2009

SERÁ QUE EU TÔ TRANCADO AQUI DENTRO?



Amadurecimento e fragilidade. Estes são dois sintomas pelos quais passei hoje, em alguns poucos instantes, ao acessar minha antiga conta de Messenger da época em que ainda morava na capital mineira, me descobrindo e me permitindo vivenciar os desejos mais fortes que princípios religiosos, que proposta de vida num modelo onde a homoafetividade é repugnada e parece ocorrer somente na casa do vizinho - o que não condiz com realidade dos corredores familiares, algo que todos sabem, mas se omitem a enxergar mesmo estando às vistas.

Nesta antiga conta todos os rapazes que pude ter o prazer de conhecer estão numa categoria chamada ‘já peguei’. Pode parecer nivelar por baixar, mas não é. Por ‘já peguei’, a cada nome há uma história vivida, mesmo que de apenas um encontro. Uma historia vivida que trouxe-me auto-conhecimento, conhecimento de meus desejos, de minhas inclinações naturais no que tange à minha sexualidade, à minha afetividade como ser humano. O faro humano que deixou ser utópico e mental para a práxis com suas imensidades que se prolongam pro resto da minha historia de vida. Mesmo que um dia eu olhe para trás e veja nesse período apenas um momento de questionamento sexual que não se condiga com a hipótetica futura realidade – e creio que essa análise nunca irá ocorrer – ter passado por tais experiências com um por um dos contato da categoria ‘já peguei’ fizeram com que eu amadurecesse.

Longe da capital mineira por ora, feliz com minha atual situação profissional, posso dizer que sou hoje mais maduro que ontem, que 2008. Espero que esta analise seja continuada a cada ano, independentemente de mudanças sociais, profissionais, circunstancias que a vida nos força a enfrentar, ora com os peitos abertos, ora com lagrimas nos olhos. Certo é que mesmo me sentindo amadurecido pelas experiências vivenciadas nesse 1 ano e 4 meses de vida prática na homossexualidade permaneço também vendo a vida com os olhos frágeis.

Fragilidade de saber que vida é muito tênue. Que hoje podemos estar vivenciando os últimos minutos da vida ou apenas mais um ano de uma longa historia que se perpetuará por quase um século. Fragilidade de saber que mesmo ciente do que desejo na escuridão dos encontros sexuais o coração continua virgem em busca de um amor arrebatador, que faça acontecer uma mudança maior ainda em minha vida, tendo como alicerce o amadurecimento para ser base de num relacionamento serio, com suas colunas firmadas no tripé fidelidade, respeito e amor. Fragilidade de ser este desejo apenas um desejo, quiçá irreal, impossível. Fragilidade de entender ser necessário viver no campo da vivência homoafetiva com sensibilidade aguçada para se encontrar alguém especial, que dentre milhares de ‘paus-duros em busca de uma foda gostosa’ queiram fazer deste momento de ato sexual apenas um detalhe de uma imensidade de momentos vivenciados num período de um relacionamento que se prolongou em razão dos sentimentos. Fragilidade de ser forte para não se entregar por completo para alguém que me veja apenas como objeto sexual, que depois do prazer não me traga flores, e ao mesmo tempo, para não se endurecer por achar que a busca por alguém perfeito seja totalmente impossível.

Sentimentos estranhos e ao mesmo importantíssimo na construção hodierna necessária para o bem viver. Como diz uma canção do brilhante mineiro Vander Lee é necessário viver ‘podando o meu jardim’ e ‘cuidando bem de mim’.

Ser gay – bicha, homoafetivo ou qualquer outro sinônimo que se dê – é ser sensível o suficiente para se conhecer e entender o processo dolorido de crescimento como ser humano, sabendo que há momentos que podemos deixar nossa pele e nossos hormônios nos guiar e há outros que precisamos repensar o caminho da vida e retornar alguns posicionamentos, sejam eles quais forem; que há momento os quais devemos nos proteger ocultando nossos desejos para o nosso próprio bem e que há momento os quais instigar a dúvida pode até nos beneficiar. Sorrisos by Monalisa, no momento certo, abrem portas! Ser gay é ser atento para seus próprios sentimentos, e entre eles o reconhecimento do amadurecimento, racional, tendo sempre em vista a fragilidade da realidade que o permeia.

Enfim...


A porta fechada me lembra você a toda hora
A hora me lembra o tempo que se perdeu
Perder é não ter a bússola
É não ter aquilo que era seu
E o que você quer?
Orientação?

segunda-feira, 29 de junho de 2009

ORAÇÃO AO TEMPO



Primeiro quero me desculpar por demorar passar por aqui. Desde que voltei das férias, minha vida profissional deu uma guinada. De reles serviçal virei chefe, vi meu salário triplicar, pessoas que nem olhavam para meu rosto hoje me cumprimentam pelo nome, me chamando de senhor, e eu com apenas 24 anos. Confesso que a falsidade destes é engraçada. Sei que estou preparado teoricamente para a sua função agora a mim confiada. São anos e anos de estudos, cursos, mas a prática tem sido um pouco diferente, principalmente pelos detalhes inesperados... mas superáveis!

Mas não é sobre isso que quero falar. Por estar quase sempre tempo para nada, em razão dessa fase de readequação profissional, resolvi hoje passear pelo shopping – detalhe, o mega, hiper e único shopping da minha cidade; sarcástico isso – e entre seus inúmeros poucos corredores procurando um celular que comporta dois chips, me deparo com minha ex namorada, que não via há mais de dois anos.

Que sensação estranha! É como se um filme voltasse rapidamente à mente, trazendo na alma as recordações de um heterossexual que já não existe mais, de uma pureza que se perdeu pelo caminho, de um mundo encantado que desabou e que parece não mais voltar eternamente. Rapidamente também passa pela mente os inúmeros – menos de 100, acho! – homens que já passaram pela minha vida, após este relacionamento, entre beijos, sarros, sexo com e sem penetração e outras experiências sexuais.

E o pior, a sensação de que eu era mais feliz quando hétero, justamente porque mesmo em duvidas sobre a homossexualidade, tinha um relacionamento de carinho, de afeto com alguém e não puramente sexual como tenho somente encontrado no meio gay, mesmo os que vem embutido no discurso: cansei da vida gay!

Por outro lado também pensei que de alguma forma minha escolha por não continuar aquele relacionamento fez bem, pra ela, obviamente. Pelo menos não carregarei a responsabilidade por estragar a vida daquela linda mulher. Não sei se ela é feliz, seu semblante continua como sempre, ofusco. Porém percebo que hoje, depois de dois anos, ela tem seguido a sua vida, com outras companhias. Poderíamos ter sido dois infelizes se a relação continuasse.

Só sei que de tempos em tempos paro para repensar a vida, para analisar como tenho me guiado – ou deixado a vida me guiar livremente. Profissionalmente hoje, graças a Deus, estou bem, feliz dentro das circunstancias em que me encontro. A possibilidade de continuidade dos estudos existe e em breve ocorrerá. Falta-me resolver isso: volto a heterossexualidade, sabendo que não sou totalmente isto? Permaneço na homossexualidade, mas vazia e sem um relacionamento que valha a pena? Adoto o celibato na intenção de um dia encontrar alguém – homem ou mulher – que me possa realmente me fazer realizado, ou não
?

Duvidas... é a minha oração ao tempo!

sábado, 6 de junho de 2009

É UM PRAZER TE CONHECER, BRASIL!



Interiorano quando vai à capital de seu estado tende a aproveitar ao máximo, seja visitando todos seus parentes, seja indo aos mega-shoppings, e quem é gay, aproveita para ter conhecimento da vida noturna da cidade neste segmento. E assim foi como comigo durante a semana passada, a última de maio. Apesar de já ter morado durante alguns meses na capital mineira – meses estes intensos e decisivos para reafirmar internamente a minha orientação sexual – eu retornei para, além de descansar do excesso de trabalho, reviver todos os momentos intensamente vividos outrora na Belo Horizonte.

Foram sete dias que aproveitei para descansar muito: fiz uma prova para um concurso federal, alguns dias entre dormir e ver filmes gays – e tenho ótimas dicas para dar sobre este assunto, provavelmente escrevei algo a respeito deles mais pra frente aqui –; ver parentes que moram na cidade, cada um mais longe que o outro, aí sabe como é, são viagens e mais viagens dentro dos coletivos; fui finalmente conhecer a boate gay mais famosa, badalada, do estado, a Josefine – mas a festa era hétero, aff – juntamente com outro interiorano que resolveu morar na capital; e pude conhecer uma pessoa que tenho no meu perfil do Orkut desde a época em que ainda residia na capital, porém sem ter tido à oportunidade de conhecê-lo. E é sobre esta graça de pessoa que quero escrever agora.

Para manter o anonimato típico da minha existência virtual gay vou chamar-lhe de Brasil. Conheci o Brasil em Belo Horizonte. Na realidade nosso processo para nos encontrarmos, o próprio encontro e nossa despedida foi toda muita simples, como são todos os encontros que já tive com alguns outros contatos. No entanto, algo diferente ficou no ar, parece-me que houve para ambos uma empatia logo de início. Da minha parte porque ele logo correspondeu meu recado deixado no seu perfil quando decidi tirar alguns dias de férias e ir até Belo Horizonte, ratificada com a primeira ligação telefônica assim que lá cheguei.

A voz do Brasil ao telefone, recheada de espontaneamente, meiguice e alegria, deixou-me encantado.E o Brasil não me despertava – apenas, claro – curiosidades sexuais, até mesmo porque ele deixou claro no Orkut que seria um prazer me conhecer (creio que seja porque o Brasil visita constantemente este espaço) mas que ele não era bonito, mas sim uma pessoa simpática, divertida. Trocando em miúdos, mesmo que eu me assuste com a feiúra do Brasil, valeria a pena o encontro porque conheceria alguém engraçado, que leva a vida na esportiva.

Acontece que o Brasil estava completamente enganado. Depois de esperar dois dias para nos encontrarmos – o Brasil é inteligente, intelectual, e acho isso excitante (eu falei isso pra ele quando afirmei que pessoas inteligentes me atraem – fico pensando, será que o Brasil entendeu a indireta?), porque estuda a noite e trabalha o dia todo – finalmente aconteceu o esperado momento.

Encontrei o Brasil num shopping. Não no Del Rey, e sim no Cidade, por ser região central – e depois descobri que foi bom pro Brasil, porque é próximo ao local onde estuda. Lá estava eu, em plena quinta-feira, 28 de maio de 2009, as 18:00 horas na portaria da Rua Rio de Janeiro, do Shopping Cidade, as 18:00 horas, esperando um Brasil feio – dentuço, cheio de espinhas, com mau hálito, olho torto, porém risonho.

Após esperar algum tempo, o Brasil me liga e ao ver outra pessoa com celular, deduz ser o Marcinho e vem ao seu encontro.O sorriso estampado no rosto do Brasil eu acertei, mas o resto, totalmente diferente. A empatia de inicio se completou. Baixinho como eu gosto – deixe-me corrigir, ele não é baixo, eu que sou alto com meus 1,90 de altura –, –, moreno, tipo muçulmano, com a barba por fazer. Fiquei descontrolado, perplexo, sem saber o que fazer. Encontrar o Brasil foi uma experiência diferente de todos os encontros da vida afora que já tive.

Enfim, entramos e fomos pra praça de alimentação do shopping. E ali ficamos por volta de duas horas conversando, um de frente pro outro. Durante duas horas tive o prazer de olhar nos olhos do Brasil, ver seu rosto sempre alegre – mesmo em momentos em que a conversa encontrou em pontos delicados –, sua espontaneidade com a moça que nos servia, seus olhar atento a tudo a nossa volta sem perder de vista a finalidade de estar ali. Foi muito agradável conhecer o Brasil. Conhecer a historia de vida do Brasil, sua trajetória na cidade grande – o Brasil, assim como eu, é natural do interior mineiro –, suas experiências entre a hétero e a homossexualidade, suas histórias amorosas com rapazes, seu jeito de ser, de falar, de sorrir – e segredo, o sorriso do Brasil é tão sexy... hummm. Creio que o Brasil foi sincero comigo o tempo todo – se mentiu, mente muito bem o Brasil –, sua forma agradável de conviver com as pessoas, de conversar, de saber se comportar deixou-me encantado com o Brasil.

Cara e nome de santo, jeito de anjo e sensualidade de um homem. Homem este que seduz por já sabe o que quer da vida, já se conhece perfeitamente e que por isso sabe muito bem as regras do jogo da vida, sem perder a sensibilidade necessária para ser feliz consigo mesmo e com as pessoas – na rua sentiu compaixão de um mendigo, sentimento raro de ser ver hoje em dia, algo que me deixou ainda mais encantado por ele.

Diferente de quase todos os relatos aqui expostos, com o Brasil a historia acabou sem terminar. Acabou depois destas duas horas agradabilíssimas de muita prosa, piadas – principalmente com o cantor bombado e pintosa do shopping –, muitos sorrisos, mas também de muita empatia, elogios trocados – e sinceros –, planos para reencontros, após o Brasil ir embora estudar. Seu aperto de mão e abraço final deixou o gostinho de ter sido ótimo, mas também o de querer mais. Deixou a possibilidade de quem sabe poder surgir desta história algo maior, mais intenso, mais profundo – sem se esquecer da realidade e dos percalços para isso. Deixou no Marcinho o encantamento pelo Brasil, e tomara, no Brasil pelo Marcinho.

Como sei que o Brasil lerá esta postagem, quero lhe dizer Brasil que você chegou com tudo, forte, marcante. Sua humildade, espontaneidade, seu jeito alegre de viver a vida sem se esquecer da realidade, sua experiência de vida – mesmo não sendo muito mais velho que eu -, e tantos outros motivos, me deixou realmente encantado por você. Quem me dera ter a oportunidade de conviver contigo diariamente, de ter você como o meu amigo mais íntimo - alias, esta vaga ainda está em aberto, Brasil!

Enfim Brasil, por ora você sabe onde estou e como me encontrar: pronto e disposto a qualquer tempo para você. Pode parecer clichê, mas é a pura realidade: Brasil, você se tornou responsável pelo o que aqui dentro de mim cativou! É um prazer te conhecer, Brasil!

sábado, 16 de maio de 2009

O AMOR ENTRE MUNDOS DIFERENTES DÁ CERTO?

Há muito pretendo discorrer sobre o tema desta postagem: o relacionamento amoroso, entre dois homens, de contextos sociais diferentes – econômicos, culturais, acadêmicos, religiosos, etc – e a probabilidade de êxito.

Considerando o senso comum de que, por mais que tenhamos afinidades, somos todos diferentes em várias perspectivas, proponho analisar que alguns aspectos podem ser essenciais para se definir se um relacionamento tem futuro ou se deve ser repensado, ou mesmo nem iniciado. A premissa de que o ‘amor supera tudo’ é utópica, uma falácia. Quem dera se fosse o contrário. Infelizmente, não há amor que supere a falta de condições mínimas de vivência – ou mesmo sobrevivência. Digo especificamente de recursos financeiros para se alimentar, se vestir, morar.

Se existem condições financeiras diferentes este é outro dilema. Quem, por vezes repetidas, não se sentirá humilhado por ter seu companheiro – melhor posicionado economicamente – arcando com os programas sofisticados feitos em casal? Qual companheiro economicamente posicionado não se sentirá ‘explorado’ por bancar os momentos de diversão junto ao seu companheiro? Não coloco em cheque as questões sentimentais, mas creio que não há amor que suporte por muito tempo isto!

Pior do que diferenças econômicas são as culturais e/ou acadêmicas. Tais diferenças são sutis, mas seus efeitos cruciais. Quem recebeu este beneplácito da vida de ter uma boa formação como cidadão - ser educado, elegante, urbano, civilizado (não estou afirmando que não teve acesso a boa formação não tenha tais características necessariamente), ter acesso à bons livros, apresentações musicais, teatrais – e que tenha feito bom uso deste recurso, vive num mundo completamente diferente de quem tem como referência de cultura assistir Zorra Total na televisão sábado a noite. Não sabe quem é Shakespeare, nunca ouviu musicais internacionais, mal sabe falar o vernáculo nacional, o que dirá idiomas diferentes como inglês, francês, italiano e outros. As viagens seriam horríveis.

São mundos diferentes, que com uma vida acadêmica levada a sério por quem tem oportunidade, se diferenciam ainda mais. Como será o dialogo entre um médico e uma pessoa que completou ensino médio, quando muito – numa escola pública, cheia de suas imperfeições. De um advogado e um pedreiro, um balconista. Não que sejam profissões menores – creio que o alemão Weber estava correto e que o que vivenciamos é fruto de diferenciação social própria do sistema capitalista, com todas as suas vertentes – e que sejam pessoas que não possuam em si conhecimentos. O que não possuem é a oportunidade de agregar conhecimentos teóricos com os empíricos – destes sim são possuidores intensos. Não ter essa oportunidade interfere em diversos aspectos, inclusive em relacionamentos, entre eles, os amorosos. São contextos diferentes para se conviver. São gostos muito diferentes para conviverem hodiernamente. Exceto em aspectos meramente sexuais, creio que seja impossível se fortalecer um relacionamento amoroso entre dois mundos opostos como estes. Ultimamente, em relação à diferença religiosa, venho conseguindo vislumbrar tal possibilidade, desde que haja respeito pela escolha do companheiro. E respeito passa por ações práticas e não apenas por discursos e posicionamentos politicamente corretos.

Seria um bossal se fechasse a questão e afirmasse que tal possibilidade é impossível de acontecer. Como quase toda regra possui exceção – e esta a é – são raríssimos os casos onde o imenso esforço de alteridade é bem sucedido quando o amor une pessoas de contextos e classes sociais divergentes. Para ser sincero, desconheço casais gays assim. Sei que existem, raros, mas existem.

Anseio muito – e tomara que seja logo – encontrar alguém para vivenciar o amor, de forma mais intensa e prolongada do que a minha única experiência. Mas receio neste aspecto. Não que eu me considere melhor do que ninguém, muito menos rebaixo-me face à pessoas de nível social superior ao meu. Apenas quero ter esse cuidado: não deixar me apaixonar por alguém nem tão além, nem tão aquém de mim. Precisa ser parecido em alguns – se não todos, o que seria o ideal – aspectos. Apesar de saber muito sobre sexo e pouco de amor, sei que este último, ao contrário do primeiro, quando não dá certo, machuca muito e as cicatrizes levam tempos a fios para sarar.

Certo está o filósofo que disse que ‘os opostos se atraem, mas só os parecidos se completam’!

P.S: Lendo este texto, deixe sua opinião a respeito comentando abaixo, plis!


quarta-feira, 6 de maio de 2009

JÁ SEI OLHAR O RIO POR ONDE A VIDA PASSA


Comparar a vida amorosa a um rio é coisa de poeta. E dos bons. Tal como rio, forte em suas correntezas, belo em magnitude e marcante como são suas águas assim é o amor. E como é difícil falar sobre amor. Verbo de quatro letras que é inexplicável com o uso de todo um alfabeto, vocabulário, signos, línguas e expressões. Para explicar o amor é preciso conhecê-lo, como também é necessário conhecer o rio, para poder nele mergulhar.

Mergulhar no amor é necessário, edificante, vivificante. Não obstante, tal como o rio é perigoso pelo simples fato de suas correntezas serem desestruturadoras. E se a vida é o conjunto de realizações pelas quais se contempla a capacidade de amar, para se viver é necessário coragem para amar, para dar e receber amor, para se doar, para olhar o próximo.

A vida é amar. Sem amar não se pode viver, com toda a intensidade de sua complexidade. Quem passa pela vida sem um grande amor não viveu, existiu. Viver é se arriscar. Arriscar a conhecer outras pessoas e se deixar ser conhecido. Viver é ser forte para encontrar mais decepções do que realizações nas correntezas do rio do amor.

Tudo o que eu quero hoje e para sempre é poder viver um grande amor. Arrebatador, que, de tão forte mudasse toda a minha existência até então, tão forte a ponto de superar dificuldades de distancias, de preconceitos, de defeitos, de se manter. Um amor que faça da minha vida realizada, porque dei tudo o que tinha para alguém que soube me dar valor, soube valorizar o que conseguiu cativar e por isso, ter a capacidade de lutar para mantê-lo.

Como do amor ainda estou aprendendo, meio perdido nas correntezas opacas que encontro, continuo olhando o rio pelo qual a vida tem me levado, na esperança de que, um dia, nas esquinas atravessadas, minha vida seja atravessada pela força do rio do amor.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

FALANDO SOBRE FÉ


Como todo mineiro que se preze fui criado num contexto bastante religioso. Desde a tenra infância em minha memória há fleches da criação em uma igreja evangélica histórica, que se baseia em dogmas e tradições bastante rígidas, onde a possibilidade da diversidade sexual não é contemplada e muito menos aceita como normal. No processo de desenvolvimento infanto-juvenil, mesmo que de forma ofuscada, a cada dia pude perceber que algo diferente em mim existia. Meu interesse, mesmo que puro, em razão da idade, não era pelas meninas – aliás, estas sempre foram minhas melhores companhias, mesmo no contexto religioso – e sim pelos coleguinhas de turma, pelos meninos. O interesse em conhecer o corpo humano masculino prevalecia sobre o interesse em relação ao feminino, e com o passar do tempo as coisas foram ficando claras.

Na adolescência o envolvimento com as atividades religiosas, como acampamentos, uniões de adolescentes e jovens, estudos bíblicos, participação no louvor e em ações de evangelismo fizeram-me àquela época, inconscientemente, negar-me a homossexualidade. Isto se deu até aos vinte e três anos, quando no intuito de ‘curar-me’ dos meus desejos pecaminosos, adentrei-me num seminário, repleto de idealizações pessoais como casar-me, estabelecer uma família feliz, que no futuro, seria realizado profissionalmente na condução de alguma congregação cristã. Tudo muito perfeito, entretanto, não para mim!

Longe de casa, do contexto em que fui criado, na cidade grande, lutei contra estes desejos com muita oração, leitura do livro base do cristianismo, e estudos teológicos. Não obstante, num momento de descuido vivenciei pela primeira vez minha relação física com alguém do mesmo sexo que eu. Na postagem Entre a Cruz e a Espada, a primeira deste blog relato como se deu essa primeira experiência.

Após esta primeira experiência, passei para a fase de pegação. Conheci o mundo sub-humano dos banheiros públicos de shoppings, teatros, galerias e outros lugares públicos. Ali aprendi a ser chupado, a chupar, a penetrar, a masturbar a dois, a três e até a oito. A libido entrava em êxtase sempre com a possibilidade de ser pego em flagrante por seguranças. Daí para cinemas, saunas e clubes gays foi um pulo. Passei por esta fase, e hoje vejo a importância, para mim, ter passado por isto tudo. Já não faço mais isso. Consegui superar esta fase. Acompanhado a tudo isto experimentei a pior fase da depressão, da síndrome do pânico e as inúmeras tentativas frustradas de suicídio – na verdade faltava-me coragem na hora H. Tive inúmeros amantes, alguns ótimos, outros legais e vários frustrantes, que com o prolongar do tempo me fez muito mal. Às vezes parecia um prostituto. Esta era a minha sensação, mesmo nunca tendo feito sexo por dinheiro. Enfim, após tudo isto, minha família percebendo que algo de errado estava acontecendo, apoiou-me na volta para casa, para minha cidade, sem perguntar-me o que de fato ocorra, a ponto de eu emagrecer mais de 25 quilos em 3 meses. Sabem que eu estava (e ainda estou em tratamento psicológico) em depressão.

Não aconselho a ninguém passar por tudo isto para aceitar sua condição sexual, sua essência, sua verdade, enquanto ser humano que possui uma sexualidade. Para mim, apesar de eu ter pagado um preço altíssimo, valeu a pena a experiência de afastar-me do contexto religioso em que fui criado, bem como de minha família. Essa fase deu-me a plena certeza de quem eu sou sexualmente falando.

Voltando para casa e continuando cristão – é uma opção de fé, porque creio que racionalmente seria agnóstico ou ateu – vejo que na antiga igreja que frequentava, de denominação histórica, já não há espaço para mim. Não me sinto bem nela, nem quero mais continuar a freqüentá-la. Com isto, neste ultimo semestre comecei a freqüentar uma comunidade pentecostal mais elitizada, formada por um publico seleto das classes A e B, que, por conseguinte, é mais liberal em alguns temas em relação a comportamentos sociais. Na verdade, quase todos já sofreram em outras experiências religiosas com o legalismo existente em igrejas evangélicas históricas, como a proibição de namorar, de cortar cabelo, do modo de vestir, de lugares onde não se pode ir, do que ouvir e não ouvir, do comer e não comer, e tantos outros podem e não podem.

Tudo estava muito bem até que ontem o querido pastor – gosto muito dele, é um ex viciado em drogas e bebida alcoólica, hoje livre do vicio, de família importante politicamente da cidade, empresário e que, portanto, não depende da igreja financeiramente para viver – resolveu pregar sobre o texto paulino de 1° Coríntios 6, onde o apóstolo elenca os ‘rótulos’ que não herdarão o reino dos céus: “os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus”.

Em meio a tanta gente ruim lá eu me enquadrei. Na versão do pastor na parte ‘nem homossexuais passivos (efeminados) nem ativos (sodomitas)’. Concluindo sobre este segmento que não herdará o reino dos céus, disse: ‘se você está na prática da homossexualidade você não irá para céu’.

Aquilo bateu fundo. Já conhecia o texto onde Paulo relata sobre a promiscuidade e coloca homossexuais no mesmo patamar dos idolatras, adúlteros, ladrões, avarentos e etc. O que me deixou desconfortado, e mesmo decepcionado, é que sinceramente, pensava eu na minha inocência, que esta legalidade estava superada naquela comunidade especificamente falando, tão liberal em vários pontos, que procura viver experimentando a graça de Deus acima de nossas falhas.

Disto tudo aprendi que infelizmente as igrejas cristas – evangélicas ou católicas, históricas ou contemporâneas – com raríssimas exceções, não estão preparadas para receber pessoas como eu, que comprovadamente vivenciaram experiências ao ponto de dá-las certeza plena que são homossexuais desde que nasceram, que não se trata de uma opção. Para ser sincero, não gostaria de sê-lo, em razão da dificuldade, principalmente interna de ser. Isto sem falar dos reflexos sociais, haja vista o modo de percepção das pessoas, que, mesmo publicamente agindo politicamente corretas, no apagar das luzes, são preconceituosas, homofóbicas.

Aprendi também que não devo iludir-me esperando encontrar uma comunidade de fé onde serei aceito como sou, por completo. Igrejas – depois de ter passado um ano dentro de um seminário denominacional, tenho essa concepção – são instituições sociais, que se enquadram no contexto social em que vivem e com ele aderem os dogmas preconceituosos existentes. Será muito boa vontade minha ouvir algo diferente do que ouvi neste fim de semana numa igreja. Preciso é saber como me comportar e até que ponto freqüentá-la me fará bem.

Creio em Deus, em Jesus Cristo, na sua graça salvífica. Sinto seu amor, seu cuidado para comigo. São princípios de fé, que hoje mais do que nunca, optei por tê-los. E sinceramente que isto vai muito além da condição sexual que possuo. Ele sabia – porque creio na sua onisciência – que eu nasceria assim, e mesmo assim permitiu-me ter vida. Soube das minhas suplicas do passado, movidas com muito choro, pedindo pela ‘cura’ deste sentimento, e mesmo assim continuo como sou, sentindo o que sinto. E sinceramente, se no final das contas, eu realmente não ir para céu por causa disto é porque minha concepção de Deus, de Pai amoroso é utópica, e que minha razão deu lugar a uma fé, aqui na terra, que não merecia tal crédito. Deus seria, nessa concepção, omisso e responsável por criar um ser homossexual para no final de sua vida terrena destinar-lhe ao inferno por isso. Não pedi para nascer gay, se nasci assim, Ele sabe e foi o responsável.

Seria muito mais fácil ser ateu para vivenciar a homossexualidade, ou mesmo espírita. Respeito tais posicionamentos, mas não consigo crer e optar por estas crenças. Creio assim no cristianismo, creio na existência de Deus, na vida de Jesus Cristo como relatada na Bíblia. Entretanto, as ‘mal ditas’ palavras paulinas trouxeram, neste aspecto, resultados negativos, que atravessando o tempo, afeta espiritual e mentalmente muitos cristãos como eu, que vivem o dilema entre seus ensinamentos – os de Paulo – e a vivencia da fé cristã.

No fundo creio que Paulo, dentro do seu contexto político, acadêmico, histórico e familiar, sentia atrações sexuais por outros homens. Creio fazendo uma leitura ampla deste capitulo. Paulo falando de si mesmo, de seus defeitos, resolveu abster-se de suas ‘falhas’ humanas, após elencar tais rótulos, pois foi sucinto no versículo 12 ao afirmar: ‘Todas {as coisas} me são lícitas, mas nem todas {as coisas convêm;} todas {as coisas} me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma”.

Paulo não se deixou dominar por sua natureza humana, e pretendeu estabelecê-la como padrão para as comunidades cristãs daquela época. De lá para cá apenas há reproduções do mesmo pensamento, já pré-estabelecido, determinado, formatalizado. Quem não se enquadra aos padrões paulinos – e segundo este – não irá adentrar aos céus.

Sinceramente, prefiro desprezar Paulo com seus ensinamentos, e ficar com o amor de Jesus Cristo ao ponto de se entregar por mim, e com a graça de Deus, superabundante, muito mais do que mereço, que excede todo e qualquer entendimento, superior a questões meramente humanas.

Falar de fé: tão complicado, mas para mim essencial, porque eu sou metade racional, metade espiritual, da mesma forma como sou quem sou sexualmente.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

ESTOU BEM SOZINHO

Isso mesmo que você leu no título da postagem. Eu consigo me sentir bem sozinho, mesmo tendo chegado ao ápice de um relacionamento amoroso/sexual com outra pessoa do mesmo sexo.

Na última postagem falei sobre meu namorado. O primeiro. O Junior (e este não é seu nome verdadeiro) é uma pessoa bacana. Gostei dele, da forma como nos conhecemos, do processo de aceitação, de carinho, afeto e de amor. Não obstante, algo em mim e nele também, porque fora recíproca, deu-nos a sensação de fim, ou de no mínimo, de pausa. Eu sabia que depois de ter vivido essas vinte e quatro horas haveria uma separação entre nos dois. Na realidade, eu pressenti isto. Somos muito diferentes, com histórias de vidas e níveis sociais diferentes - e, com essa primeira experiência pessoal de namoro, aprendi que estes fatores são totalmente relevante -, com projeções profissionais e ambições pessoais diferentes. Universos tão diferentes a ponto do sentimento que vivenciamos não ser capaz, pelo menos por ora, de ultrapassá-los.

Não vou ficar chorando o leite derramado. Prefiro continuar a vida. Minha fase depressiva foi no processo de auto-aceitação da homossexualidade. Fase superada. Superadíssima aliás. Creio que, modéstia parte, sou um rapaz bacana, vindo de uma formação familiar estruturada, que respeite o próximo e a diversidades de pensamentos e posicionamentos, sei que sou bonito (não lindo, mas interessante). Sei que não irei ficar. Mas mesmo que fique, eu estou bem sozinho!

Não estou só. Tenho amigos queridos. Tenho como a experiência de ter amado pela primeira vez um homem a ponto de cometer loucuras para passar um dia completo ao seu lado. Tenho a maldade necessária para não deixar ferir-me o coração com desilusões e vagabundos de plantão. Tenho a certeza de que se encontrar alguém que me ame de verdade, e que valha a pena investir tempo e recursos, vou viver tudo novamente e agora melhorado, porque a prática traz a qualidade, a excelência.
Nesses dias tenho me dedico ao trabalho, aos relacionamentos sociais que independem de sexualidade, aos meus livros e a possibilidade de um mestrado ou a aprovação em concursos públicos, a mim mesmo. Estou feliz, pleno, comigo mesmo!

Como canta o excitado negro, de voz meloso e deliciosa Vander Lee, "estou podando meu jardim, estou cuidando bem de mim"!