sábado, 11 de julho de 2009

SERÁ QUE EU TÔ TRANCADO AQUI DENTRO?



Amadurecimento e fragilidade. Estes são dois sintomas pelos quais passei hoje, em alguns poucos instantes, ao acessar minha antiga conta de Messenger da época em que ainda morava na capital mineira, me descobrindo e me permitindo vivenciar os desejos mais fortes que princípios religiosos, que proposta de vida num modelo onde a homoafetividade é repugnada e parece ocorrer somente na casa do vizinho - o que não condiz com realidade dos corredores familiares, algo que todos sabem, mas se omitem a enxergar mesmo estando às vistas.

Nesta antiga conta todos os rapazes que pude ter o prazer de conhecer estão numa categoria chamada ‘já peguei’. Pode parecer nivelar por baixar, mas não é. Por ‘já peguei’, a cada nome há uma história vivida, mesmo que de apenas um encontro. Uma historia vivida que trouxe-me auto-conhecimento, conhecimento de meus desejos, de minhas inclinações naturais no que tange à minha sexualidade, à minha afetividade como ser humano. O faro humano que deixou ser utópico e mental para a práxis com suas imensidades que se prolongam pro resto da minha historia de vida. Mesmo que um dia eu olhe para trás e veja nesse período apenas um momento de questionamento sexual que não se condiga com a hipótetica futura realidade – e creio que essa análise nunca irá ocorrer – ter passado por tais experiências com um por um dos contato da categoria ‘já peguei’ fizeram com que eu amadurecesse.

Longe da capital mineira por ora, feliz com minha atual situação profissional, posso dizer que sou hoje mais maduro que ontem, que 2008. Espero que esta analise seja continuada a cada ano, independentemente de mudanças sociais, profissionais, circunstancias que a vida nos força a enfrentar, ora com os peitos abertos, ora com lagrimas nos olhos. Certo é que mesmo me sentindo amadurecido pelas experiências vivenciadas nesse 1 ano e 4 meses de vida prática na homossexualidade permaneço também vendo a vida com os olhos frágeis.

Fragilidade de saber que vida é muito tênue. Que hoje podemos estar vivenciando os últimos minutos da vida ou apenas mais um ano de uma longa historia que se perpetuará por quase um século. Fragilidade de saber que mesmo ciente do que desejo na escuridão dos encontros sexuais o coração continua virgem em busca de um amor arrebatador, que faça acontecer uma mudança maior ainda em minha vida, tendo como alicerce o amadurecimento para ser base de num relacionamento serio, com suas colunas firmadas no tripé fidelidade, respeito e amor. Fragilidade de ser este desejo apenas um desejo, quiçá irreal, impossível. Fragilidade de entender ser necessário viver no campo da vivência homoafetiva com sensibilidade aguçada para se encontrar alguém especial, que dentre milhares de ‘paus-duros em busca de uma foda gostosa’ queiram fazer deste momento de ato sexual apenas um detalhe de uma imensidade de momentos vivenciados num período de um relacionamento que se prolongou em razão dos sentimentos. Fragilidade de ser forte para não se entregar por completo para alguém que me veja apenas como objeto sexual, que depois do prazer não me traga flores, e ao mesmo tempo, para não se endurecer por achar que a busca por alguém perfeito seja totalmente impossível.

Sentimentos estranhos e ao mesmo importantíssimo na construção hodierna necessária para o bem viver. Como diz uma canção do brilhante mineiro Vander Lee é necessário viver ‘podando o meu jardim’ e ‘cuidando bem de mim’.

Ser gay – bicha, homoafetivo ou qualquer outro sinônimo que se dê – é ser sensível o suficiente para se conhecer e entender o processo dolorido de crescimento como ser humano, sabendo que há momentos que podemos deixar nossa pele e nossos hormônios nos guiar e há outros que precisamos repensar o caminho da vida e retornar alguns posicionamentos, sejam eles quais forem; que há momento os quais devemos nos proteger ocultando nossos desejos para o nosso próprio bem e que há momento os quais instigar a dúvida pode até nos beneficiar. Sorrisos by Monalisa, no momento certo, abrem portas! Ser gay é ser atento para seus próprios sentimentos, e entre eles o reconhecimento do amadurecimento, racional, tendo sempre em vista a fragilidade da realidade que o permeia.

Enfim...


A porta fechada me lembra você a toda hora
A hora me lembra o tempo que se perdeu
Perder é não ter a bússola
É não ter aquilo que era seu
E o que você quer?
Orientação?

3 comentários:

Srtah. M. disse...

Você escreve de forma tão bonita e profunda...

Spark disse...

...que dentre milhares de ‘paus-duros em busca de uma foda gostosa’ queiram fazer deste momento de ato sexual apenas um detalhe de uma imensidade de momentos vivenciados num período de um relacionamento que se prolongou em razão dos sentimentos."

Dudu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.